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O Que Se Pendura...

Na memória da infância, há lembranças: na rua, o Judas pendurado - boneco de pano,cheio de trapos, jornais, serragem - e o coração batia, esperando a surra, a malhação. 


As crianças se juntavam, cada uma com seu pedaço de pau, rindo, gritando.

Era tudo uma brincadeira de criança. Lembro que os adultos não participavam, além de montar o boneco e pendurá-lo


Hoje é malhação de tudo que me bate sem parar. Eu olho e penso: Judas não é só aquele da Bíblia.


Hoje não é só um boneco de pano.


Judas é o machismo que mata, que bate na mulher e acha normal.

É o racismo que cala o negro, empurra ele pro canto e chama “coisa de sempre”.

É o abuso de poder,  chefe que humilha, do político que rouba e fica solto.

É malhação da covardia que chama violência de briga de casal.

É malhação da impunidade que ri da nossa cara.

Judas é o velho jogado fora, o jovem chamado de vagabundo.

Judas é a injustiça que nunca paga.


Sábado de Ale.luia, não é festa de mentira, que se diz esperança.

Mas esperança de quê, se a violência continua?

Quero Ale.luia de verdade - grito na rua, povo junto.

Se o homem também apanha e ninguém fala nada?

Se a mulher morre e chamam de “crime passional”?


Ale.luia que diga:chega de injustiça.

Ale.luia que abrace mulher, homem, criança, velho, negro, brqanco, diverso.

Ale.luia devia ser grito de liberdade

Ale.luia que não deixe - e não torne - ninguém invisível.

Ninguém mais é descartado.

Ninguém mais é silenciado.


A malhação é contra o sistema.

A Ale.luia é pelo povo..

É malhação da indiferença que nos acostuma à dor.

E o povo não pede favor: exige respeito.


(Obs: Ale.luia, com o ponto é a alegria cortada pela dor)

Essa escrita é um atravessamento de indignações.

Stela Alves 

04/04/2026


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