O Que Se Pendura...
- Stela Alves

- 20 de abr.
- 2 min de leitura
Na memória da infância, há lembranças: na rua, o Judas pendurado - boneco de pano,cheio de trapos, jornais, serragem - e o coração batia, esperando a surra, a malhação.
As crianças se juntavam, cada uma com seu pedaço de pau, rindo, gritando.
Era tudo uma brincadeira de criança. Lembro que os adultos não participavam, além de montar o boneco e pendurá-lo
Hoje é malhação de tudo que me bate sem parar. Eu olho e penso: Judas não é só aquele da Bíblia.
Hoje não é só um boneco de pano.
Judas é o machismo que mata, que bate na mulher e acha normal.
É o racismo que cala o negro, empurra ele pro canto e chama “coisa de sempre”.
É o abuso de poder, chefe que humilha, do político que rouba e fica solto.
É malhação da covardia que chama violência de briga de casal.
É malhação da impunidade que ri da nossa cara.
Judas é o velho jogado fora, o jovem chamado de vagabundo.
Judas é a injustiça que nunca paga.
Sábado de Ale.luia, não é festa de mentira, que se diz esperança.
Mas esperança de quê, se a violência continua?
Quero Ale.luia de verdade - grito na rua, povo junto.
Se o homem também apanha e ninguém fala nada?
Se a mulher morre e chamam de “crime passional”?
Ale.luia que diga:chega de injustiça.
Ale.luia que abrace mulher, homem, criança, velho, negro, brqanco, diverso.
Ale.luia devia ser grito de liberdade
Ale.luia que não deixe - e não torne - ninguém invisível.
Ninguém mais é descartado.
Ninguém mais é silenciado.
A malhação é contra o sistema.
A Ale.luia é pelo povo..
É malhação da indiferença que nos acostuma à dor.
E o povo não pede favor: exige respeito.
(Obs: Ale.luia, com o ponto é a alegria cortada pela dor)
Essa escrita é um atravessamento de indignações.
Stela Alves
04/04/2026





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